Friday, October 12, 2012

O último lamento de “Elvis” | Revista Babel


El Ultimo Elvis é um filme que mostra a enorme sensibilidade do protagonista, e de fundo vemos a do povo argentino. Apesar de muito fechado e frio, Carlos Gutiérrez/ “Elvis”, que são as duas identidades do ator principal, vive um conflito interno sobre o que ele quer.


Ora sua carreira como sósia do Elvis Presley pesa, ora é sua filha e sua ex-mulher que, apesar de “Elvis” ser medíocre para elas, lá no fundo, para ele, elas são importantes. Mas uma questão fica em aberto, o quão importante é sua família, ou se é uma necessidade para a quebra de sua solidão, ora que é criado por si mesmo, ora causada por sua arrogância e por sua grande ambição de ser grande na vida.


Carlos Gutiérrez vive uma personalidade dupla. Quando o assunto é mais formal, como receber seu pagamento, por exemplo, identifica-se por Carlos. Entretanto, em todas as outras ocasiões, inclusive quando fala com sua filha, gosta de ser reconhecido como “Elvis”. E isso lhe faz bem, o reconhecimento com o cantor Elvis o agrada. Quando tem que dizer que se chama Carlos, o faz num tom bem baixo, o máximo possível para que o mínimo de pessoas ouçam, chega a ser quase que constrangedor o nome latino para o personagem. Seu orgulho é de ser sósia de Elvis.


Quando na Argentina a fotografia tende, de vez em quando, a revelar um país “americanizado”. É assim quando mostra os bares ou quando o protagonista se expõe, e é sempre assim. Quando nos EUA, existe um certo nacionalismo explorado. Para onde se olha há bandeiras americanas, e muita felicidade no rosto do protagonista, como se aquilo fosse o ápice da felicidade alcançável.



A trilha sonora é composta de músicas cantadas por Elvis Presley. Não seria diferente, é uma boa seleção, muitas vezes com músicas com muito sentimento e pouca animação. São poucas as músicas agitadas, Roberto Bo prefere o sentimento no filme.


A câmera sempre acompanhando “Elvis”, seja em um plano parado – mais fechado no protagonista – ou mais aberto. E também é assim nos planos sequências, que o filme de vez em quando apresenta. A grande gafe dos planos sequências é quando o ator principal chega em uma festa de pessoas que, assim como ele, são sósias de cantores. A câmera o acompanha na entrada e, de alguma maneira, “Freddie Mercury” espera a câmera passar, antes de fechar a porta. A intenção de inteirar o espectador com o filme é falha. A direção passa a ter a visão da cena, é perceptível.


Vemos no filme a falta de coragem de assumir as coisas. Quando foi possível para Carlos se aproximar mais ainda de sua filha, não o faz, foge. Assim foi com sua ex-mulher. Só pensou nele, se mostrou muito incoerente com seus pensamentos, além de egoísta.



Um filme que tem tanta sensibilidade nos atos, que apesar da escolha errada, é lindo. El Ultimo Elvis é uma obra que vai mostrar a paixão, o amor e a força de vontade. É necessário prestar bastante atenção aos fatos e a tudo que parece ser artificial.


Aquilo que é mais simples e que possa parecer idiota se mostra com muita força e amor no filme. À exemplo disso, quando a filha de Carlos presenteia-o com um boneco do Elvis Presley, o mesmo que é deixado de lado, e sequer é agradecido. Um gesto simples, mas que tem muito sentimento interiorizado. A vontade da menina de se aproximar do pai. E o pai nem aí para a menina.


El Ultimo Elvis vai emocionar qualquer um. Muito sentimento, mesmo que ele não seja, por vezes, amor e derivados. Pelo contrário, em vários momentos a melancolia é o que predomina.




Source:


http://www.revistababel.com.br/o-ultimo-lamento-de-elvis/






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